ESGOTO NÃO SERÁ MAIS DESPEJADO NO RIO VACACAÍ, APÓS DÉCADAS DE POLUIÇÃO

Data: 20/11/12

Circula nas redes sociais uma campanha em favor da revitalização do rio Vacacaí, que por décadas tem recebido, dentre outros resíduos, o esgoto doméstico de mais de 80% de toda a cidade. Para resolver esse problema, uma das principais causas da poluição do rio, é que o contrato de concessão  dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário de São Gabriel  estabelece como meta a melhoria e ampliação do sistema de coleta e tratamento de esgoto da cidade,  que em pouco tempo deve fazer com que o rio seja novamente utilizável por banhistas.

Com a construção de uma nova Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) e a instalação de rede coletora em toda a cidade, até 2020 mais de 90% de todo esgoto gerado será tratado. Atualmente a rede coletora cobre apenas 12% da cidade. Somente esse esgoto que e coletado, é conduzido até a ETE, no bairro Siqueira, onde recebe o tratamento. Os outros 88% são conduzidos por canalizações, sangas ou valetas e despejados diretamente no rio.

O Coordenador Operacional da São Gabriel Saneamento, Luiz Antonio Bertazzo prevê que a cidade em pouco tempo entrará para um grupo seleto de municípios brasileiros, os que tem mais de 90% de seu esgoto tratado, com a universalização do serviço que é deficitário em todo o país:

-A média nacional de tratamento de esgoto não chega a 40%. Atualmente São Gabriel nem se aproxima desse número, mas dentro de quatro anos o objetivo é já ter 60% do esgoto coletado e tratado. E em mais alguns anos ultrapassar parâmetros alcançados pelas maiores cidades do país- completa.

A professora de Gestão Ambiental da Unipampa, Drª Ana Julia Teixeira destaca a importância do tratamento do esgoto para a vida do rio, e ressalta que após a empresa sanear a cidade inteira, os próximos passos são a conscientização da população para não jogar lixo nas sangas e ser implementada a coleta seletiva. E prevê que com a mudança cultural da população, as margens do Vacacaí podem se tornar pontos turísticos.

A Engenheira Ambiental, também professora da Unipampa, Drª Cibele Rosa Gracioli, explica que a utilização como balneário seria contrário à preservação ambiental, e considera que o rio Vacacaí está mais preservado agora do em comparação com a década de 1970 – conforme foto comparativa que circula na internet- mas também demonstra a preocupação com a recuperação da fauna e flora de todo seu entorno, através de estudos, campanhas de conscientização e também com o tratamento adequado que o esgoto vai receber nos próximos anos.

Maria Beatris da Silva, 50 anos, moradora do Passo da Lagoa, conta que antigamente a água do rio que cruzava em frente sua casa era bem clara, mas que o odor causado pela descarga contínua de esgoto sem tratamento é insuportável, e torce para que o tratamento melhore o rio, a saúde das pessoas e até o ar que eles respiram na região.

Bertazzo explica que conforme avaliação técnica da empresa foi constatado que é mais viável construir uma nova ETE para tratar todo o esgoto do que reformar a já existente e operar duas ao mesmo tempo: a atual para 12% e a nova para 88% da cidade; e considera que os avanços empregados pela São Gabriel Saneamento vão beneficiar principalmente os mais necessitados:

-O que mais importa é que essas mudanças vão beneficiar principalmente quem mora na periferia, às margens do nosso rio ou tem valeta com esgoto passando a céu aberto na frente de sua casa – comenta o Engenheiro Químico.

Segundo dados publicados pelo IBGE, das 100 maiores cidades do Brasil, apenas 6 tratam mais de 80% do esgoto, em todo Brasil. E a São Gabriel Saneamento tem como meta ultrapassar 90% de tratamento do esgoto produzido na cidade já nos primeiros oito anos de operação.